1 de março de 2013

Assim, o fim de nós dois



Faltavam alguns minutos para eu ir embora. Puxei-o pelas mãos e o levei aonde ninguém podia nos ver. Abracei com toda a minha força. Eu não sabia quando o veria de novo, sequer se voltaria a vê-lo.
Tive vontade de chorar, não de tristeza, mas de medo. Medo de que tudo o que vivemos naqueles últimos três encontros nunca mais se repita. Os cabelos que caiam no meu rosto, ele puxou para trás da minha orelha. Leu os meus olhos e perguntou: “Você não vai chorar, né?”

Lembro-me de ter dito que só estava com medo de que demore muito pra nos vermos de novo. Abracei-o ainda mais forte. Disse: “Eu te amo, não esquece. Se cuida. Tenha certeza de que eu estou sempre torcendo pela sua felicidade.”

Eu não esperava muita coisa dele e nem dessa despedida. Talvez eu quisesse ouvir um “eu também te amo”. Me surpreenderia muito depois de tantos anos. Mas ele continuou em silêncio. Um silêncio torturador. 

Queria ter abraçado mais alguns minutos, mas de alguma forma eu sabia que aquele era o fim da história. Deixei o ponto final chegar quando minha mãe gritou: “Eii, vamos! Vai ficar tarde pra pegar estrada.” Queria que ele tivesse feito com que o ponto final se tornasse uma reticência. Mas ele não fez isso e nem fará.

Um mês de estágio



Desde o começo fiquei muito feliz por ter sido indicada por uma professora que gosto tanto, principalmente porque isso é um sinal de confiança. Era um desafio profissional, mas também uma provação pessoal. Essa semana completou um mês que entrei para o estágio.
Eu sei que não contei isso aqui ainda e foi de propósito, porque eu queria amadurecer melhor essa experiência. Mas sim, eu estou estagiando numa agência de Marketing Digital. Não sei como agradecer a confiança da minha professora. Nem a confiança e paciência que todo o pessoal da agência tem para me ensinar sobre internet.

É um desafio! Todos os dias aprendo algo novo e sinceramente, eu nunca imaginei que postar um texto na internet era mais do que apertar o “publicar”. Estou adorando conhecer a otimização de textos, sitemap, analystics, adwords, rank tracker e tantas ferramentas que eu não sabia que existiam. No começo surtei um pouco para escrever sobre faca de cerâmica, móveis em fibra sintética e outros textos que preciso fazer toda semana. Mas estou aprendendo e quero melhorar cada vez mais. Sem contar que troco experiências e idéias incríveis no trabalho, além de ser em muitos momentos, engraçado.

Mas à parte da realização profissional, existe também a pessoal. É uma experiência maravilhosa e sei que toda a felicidade que sinto é compartilhada com as pessoas que gostam e torcem por mim. É bom ver pessoas especiais ainda mais orgulhosas. Melhor ainda saber que tenho conquistado tudo com dedicação, boa sorte e persistência. Quando meu chefe me liga depois de revisar meus textos e diz: “Lieda, está ótimo. Nem sei há quanto tempo eu não precisava reescrever todos os textos.” É muito importante pra mim, porque me empenho pra que cada texto seja o melhor que já fiz na vida e porque esse elogio não me deixa feliz sozinha, mas tem um monte de gente que sorri por tabela.

Um mês, mas tomara que ainda tenha muito para acontecer. Espero que sejam apenas experiências proveitosas para mim e para eles também.


Sorte que a gente tem a vida inteira

Você foi minha maior decepção

Você foi a maior das minhas decepções. A verdade crua e nua foi essa: você podia ter sido tudo, podia ter escolhido qualquer opção menos dolorosa, podia ser presença, confiança, companheirismo. Eu deixei as cartas na sua mão para você bater. Você preferiu ser a minha maior decepção.
Às vezes eu me pego pensando o que foi que a gente foi. Quanto mais o tempo passa e eu analiso os fatos mais vejo que fomos muito menos do que sempre pensei. A gente foi muito pouco. Você soube manter a distância entre nós muito bem enquanto eu me deixava ser invadida por você. Logo eu, que sempre sou tão desconfiada, que não me jogo sem conferir o equipamento de segurança, deixei que você me invadisse. Quase ninguém entende porque eu ainda insisto em falar de você. E como poderiam? Nem eu mesma entendo. Eu já disse que você não me dói. Ainda incomoda, ainda coça, mas doer –dilacerador como antes, pelo menos –não dói. Não choro mais, não me puno mais, nem me lastimo mais. Já foi. Você já foi. E foi porque tinha que ir, porque decidiu ir. E a mim não restou mais nada além de aceitar sua nova direção. Não posso culpar o vento que te carregou. Nem mesmo o destino que um dia nos aproximou. Você foi porque você quis. Foi, porque na verdade, seu lugar nunca nem mesmo foi aqui.
Por algum tempo, eu fiquei parada esperando que, com uma sorte, um vento torto, uma rota errada, você voltasse para cá. Não tenho vergonha de dizer isso. Eu confiei em você. Eu achei que você estaria aqui para o que precisasse. Que você não seria capaz de me dar as costas. Achei que, um dia, lhe cairia a ficha, sentiria minha falta. Voltaria. Mas a confiança é uma mentira eu estava errada. Seu caminho era outro e você entendeu, antes de mim, que ficar não melhoraria as coisas.
Quase não tenho noticias suas e ainda não decidi se assim é melhor. Mas sei que anda alcançando tudo o que sonhava quando estava aqui. Fico feliz por você. De verdade. Você até pode não acreditar, mas eu sempre quis o melhor para você. No fim, acho que você conseguiu tirar toda a sua insegurança de você. Com sorte, talvez, você parou com aquela mania besta de querer provar a sua mãe que era melhor do que ela lhe dizia. Queria que você soubesse eu não guardo rancor, nem mágoa, talvez um pouco de nostalgia. E só. Se não digo ou não te procuro é porque não tenho mais vontade. Entendi. Seu lugar não é aqui. E tá tudo bem, posso conviver com isso. Se escrevo é porque ainda há um resto de sentimento a me livrar. É meu jeito mais prático de terminar histórias, encerrar ciclos e pontuar onde pontos claramente já foram colocados.
 Ainda assim, você foi minha maior decepção. Mas agora já consigo enxergar o lado bom depois de tanta dor. O bom disso é que as outras decepções que vieram depois não doeram tanto, não me feriram tanto. Como se sua ausência tivesse me anestesiado. E, embora eu não esteja imune –longe disso, porque as decepções ainda me tiram o ar –todas as perdas se tornaram suportáveis desde o momento que superei perder você.

(Fernanda Campos)

26 de fevereiro de 2013

Bem vinda, princesa Lívia!

A Lívia é filha de um casal muito querido, Ceci e o João Victor. Quando souberam que esperavam por um bebê, me encarregaram de fazer um texto para expressar a importância desse momento tão especial em suas vidas. A Lívia nasceu em Agosto, passei os nove meses rascunhando, comecei a escrever em Setembro, mas só agora me dei por convencida de que escrevi para uma princesa. Mamãe coruja adorou e eu espero que vocês também gostem.

arquivo pessoal


Querida Lívia, bem vinda!


Bem vinda a esse mundo onde tudo parece tão louco, e realmente é. Desde o momento em que soubemos da sua existência, você foi ansiosamente esperada, comemorada e muito amada. Bem vinda a esse mundo de amor que te rodeia, com pais apaixonados entre si e por você, com amigos que te querem muito bem. Bem vinda aos nossos corações, embora você ainda não possa imaginar o quão bom é compartilharmos a felicidade de tê-la conosco.

Aqui é o seu lugar! Que você tenha a sabedoria, sensibilidade e maturidade da sua mamãe. Que tenha a gentileza, simpatia e seja carinhosa como o papai. Você ainda não sabe abraçá-los, mas terá muito tempo – e motivo – para isso. Nunca se esqueça que nem todos podem viver cercada de amor como você e que os seus pais só querem o seu bem!

Um dia perceberá que nem sempre a vida é como você gostaria e que há sofrimento e tristezas. Papai e mamãe se dedicam para que você seja uma princesa feliz. Por isso, se em algum momento o mundo parecer desabar sobre a sua cabeça, não hesite em recorrer à sabedoria e o colo de seus pais. Eles sempre saberão o que te dizer.

Aventure-se nessa viagem linda que é a vida e não se arrependerá. Nem sempre será fácil, mas nem é tão difícil quanto dizem. Saiba que o impossível não existe e que o céu não é um limite. Voe longe e alto! Já dizia Charlie Chaplin: “A vida é maravilhosa se você não tem medo dela.”.

Não tenha receio de dizer “obrigada”, “desculpe-me” e “eu te amo”. São palavras importantes e que só devem ser ditas quando você realmente tiver a certeza de que é o momento certo. Não tenha medo de parecer piegas demais, falta sinceridade nesse mundo e nós enxergamos no brilho dos seus olhos que você veio para melhorar isso. Mas, antes e acima de tudo, aprenda que reconhecer-se é uma tarefa difícil, ainda mais para virginianas, geralmente perfeccionistas, determinadas e nem sempre com facilidade para demonstrar os mil segredos que guardam no coração, mas saiba que mostrar-se ao mundo é um dos caminhos da felicidade.

Sonhe! Sonhe muito e jamais desista dos seus sonhos. Nada é impossível para quem tem coragem e uma família companheira e amiga. Seja a princesa mais feliz de todos os reinos. Seja a flor mais linda dos nossos jardins.

Bem vinda. Nunca se esqueça do mais importante: divirta-se!



5 de Setembro de 2012
Lieda Gomes



Família Feliz (arquivo pessoal)

Princesa Lívia (arquivo pessoal)


Um conselho sobre a vida: Viaje muito!



Viajar é uma paixão, um objetivo e em determinadas situações, uma prioridade. Não há nada no mundo que eu goste mais do que sair pra conhecer o que acontece fora da minha casa, fora da minha zona de conforto. Eu posso ficar dias pensando se aceito ou não o convite para aquela festa, mas se for pra decidir viajar ou só preciso confirmar se tenho dinheiro, que não vou comprometer a faculdade ou o trabalho e que tenho crédito no celular. Porque as passagens eu agilizo pela internet e a mala fica pronta antes mesmo da impressora terminar de imprimir meu bilhete. Nem me importo se vou sozinha ou não.

Ainda bem que tenho o privilégio de ter uma família que apóia e ajuda a financiar os meus planos mais doidos, acho que por isso conheci tantos lugares diferentes no Brasil. Às vezes penso quanto já viajei sozinha nesse mundão e me orgulho pela minha coragem, mas acima de tudo agradeço a minha família pela oportunidade. Nessas viagens todas aprendi a controlar meu dinheiro. Que posso ligar pra minha mãe na hora do apuro, mas que terei que resolver sozinha a situação. Que o simples é feliz, que o simples pode ser muito divertido, que existe muito o que conhecer na vida e que por isso, não devo nunca me restringir ao meu pequeno campo de visão atual. Dá sempre pra explorar outros pontos de vista.

Em todos os lugares que estive conheci pessoas especiais, como aquele garoto que conheci indo para o Tocantins que largou a família para estudar em São Paulo, que reconhecia todo o esforço do seu pai para mantê-lo na capital paulista e que já dizia ser eternamente grata a confiança que seu pai lhe depositava. Uma pena eu não lembrar o seu nome, mas o seu destino era o Pará. Almoçamos juntos alguns salgadinhos, bolacha e conversamos quase as 24 horas que fiz de viagem. Ele ainda tinha mais umas 10 pela frente.  

Como a Rebecca que conheci há alguns viajando para o interior de São Paulo, cheia de sonhos e ansiosa para acabar a faculdade no ano seguinte.

Como o Marcos, um cara gente boa que é de Poços de Caldas, namora uma moça de Atibaia e faz doutorado na Ilha Solteira. Me ensinou um pouco sobre engenharia e eu lhe ensinei um pouco sobre como treinar o cérebro para escrever melhor. Ele reclamou por ter brancos na hora de escrever sua tese.

O Jorge, que conheci em MG e que queria ficar comigo, mas acabamos a noite contando histórias de rolos do passado. hahahaha Perdi a chave do carro e ele ajudou bastante nesse dia. Muito simpático!

Também me lembro de Juliana que veio da Bahia pra São Paulo trabalhar e ficou grávida. Anos depois estava voltando à sua terra pra que os pais pudessem conhecer a sua filha.

Como esquecer do casal mais fofo que já conheci na vida? Dona Cleire e Sr. Adilson, meus companheiros no vôo até Brasília. Em certo momento do vôo ele se virou e disse “Meu amor, não disse que te levaria às alturas?”. Eu como espectadora fiquei sem reação. São casados há muitos anos e o romantismo ainda transborda pelos poros. Depois desse vôo recebi o convite para ir ao aniversário da dona Cleire, no qual ela ganhou um anel lindo do seu querido esposo. 

Em alguns anos de viagens, em roteiros diversos, pude conhecer muito sobre a vida, sobre as pessoas e expandir meus horizontes. Na verdade todas essas viagens marcaram muito a minha vida, porque tomo decisões importantes nelas. Por exemplo, foi na Bahia que decidi sair do Direito e fazer Jornalismo, também pra conhecer as pessoas e o mundo. Cada viagem é uma recarga de inspiração, criatividade e positividade. Todas as pessoas me ensinaram muito ao compartilharem um pouco de suas histórias comigo, se tornaram inspirações. Assim como as paisagens, os céus estrelados, as montanhas, o pôr-do-sol, a caatinga e tudo o que me faz ter idéias para alguma frase, algum texto.

Hoje tenho algumas preferências:

Para pensar na vida e me desligar do mundo: Tanhaçu – BA.
Pra reencontrar os meus amigos mais animados: Angra dos Reis – RJ.
Pra morrer de calor: Gurupi – TO.
Pra ter certeza de que estou na terra do sertanejo: Goiânia – GO.
Para me sentir em casa: Pereira Barreto – SP.
Para lavar a alma: Ubatuba – SP
Pra morrer de tanto comer doce: São Vicente – SP.
Pra ver o campo: São Sebastião do Paraíso – MG.
Pra me sentir dentro de uma novela: Rio de Janeiro – RJ.

Pra me sentir na cidade mais louca, legal, diversificada culturalmente e ter certeza de que dá pra conhecer um pouco do mundo inteiro sem sair do Brasil: Sem dúvidas, São Paulo – SP.
Em breve planejo voar ainda mais alto e longe. Quero conhecer outros cantos do mundo.
Viajar é um investimento que traz retorno intelectual, que talvez as pessoas não consigam medir, porque não é tão palpável quanto uma casa ou um carro, mas que com certeza transforma as nossas vidas e nos mostra que há muito que ser descoberto e que sempre, sempre, mesmo que você se veja com o pneu furado na Trans-amazônica às 5 da manhã, sempre vale à pena.

Angra - RJ

Brasília - DF

Tanhaçu - BA

Carnaval em São Paulo

São Sebastião do Paraíso - MG

Ubatuba - SP

24 de fevereiro de 2013




Se você quiser, se você tentar, se nunca desistir, vai descobrir que o impossível não existe.






A dúvida sempre me acompanhou bem de perto e muitas vezes é ela quem me faz ir adiante. É até estranho pra mim, quando tenho certeza absoluta de algo.


23 de fevereiro de 2013

Viver é mais do que fazer aniversários, é morrer e continuar vivo



Engraçado como as pessoas gritam suas supostas mudanças aos sete ventos e se julgam melhores que os outros por conta disso. Não sou radical ao ponto de pensar que ninguém pode ser tornar uma pessoa melhor, mas sei o quanto essa é uma tarefa difícil. 

Só com a convivência é possível reconhecer novos hábitos e antigos defeitos. Ultimamente tenho percebido que anos de experiência tornaram certas pessoas ainda mais hipócritas e ignorantes do que sempre foram. Maturidade, humildade, amor por si mesmo e pelos outros não são adquiridos pelos anos de vida, mas pelas experiências.

Enfim, tenho pensado que as experiências transformam muitos aspectos da vida, mas que somente a morte é capaz de nos fazer repensar tudo e realmente revolucionar a vida.
Não tirando os méritos de quanta vida tem nossos anos, mas quando perdemos alguém muito especial, tudo passa a ter um sentido diferente. Hoje, em um momento difícil da vida às vezes parece que não vou agüentar tantos baques, então eu penso “não morri com a morte, não vai ser a vida quem me derrubará”. Quando me submeto a situações ridículas ao ponto de me exigirem mais lágrimas do que sorrisos, eu só preciso lembrar que “o despedício da vida está no amor próprio que não nos damos”. 

Eu sei que a vida é importante, mas tudo de mais significativo que aprendi foi com a morte. A morte de um futuro que eu nunca vou saber como seria, a morte de alguém especial que foi embora tão cedo que não tive tempo e espaço para amá-lo como gostaria, a morte de alguém que era acima de tudo um grande amigo, um ídolo e um fã. A morte de um passado feliz, de expectativas motivadoras e de um amor que nunca vai deixar de existir... Quanta falta você me faz, Fábio. Quanta vida eu ainda gostaria de compartilhar com você. Sua morte encerrou tudo, mudou tudo, mas deu inicio ao infinito.